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G1 – Durante missa em Trindade, padre de GO critica ação da PM paulista; vídeo

Um dos principais líderes da Igreja Católica em Goiás, padre Robson de Oliveira, reitor do Santuário Basílica do Divino Pai Eterno de Trindade, criticou em missa uma abordagem que recebeu da Polícia Militar (PM) na cidade paulista de Guarulhos. Imagens gravadas por celular mostram o desabafo do religioso durante uma celebração no sábado (27): “Fiquei indignado com aquilo”.

Na missa, padre Robson contou que até a imagem símbolo da devoção ao Divino Pai Eterno, que foi entregue ao Papa Francisco, passou por um “baculejo”. “Mandou abrir o carro, olhou tudo. A imagem do Pai Eterno que eu entreguei para o papa ontem [sexta-feira] foi toda, toda mexida por eles. Inclusive, eu acredito, eles iam quebrar a imagem pra ver se não tinha drogas dentro”, reclamou.

A abordagem, segundo o sacerdote, ocorreu na quinta-feira (25). Padre Robson, que também é cantor, participava da Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, mas aproveitou o dia para ir a uma empresa que produz CDs em Guarulhos (SP). Os policiais o abordaram quando ele deixava a cidade paulista para retornar à capital carioca, onde se encontraria com o Papa Francisco.

Padre Robson já havia falado do assunto em uma rede social, onde chamou a ação dos policiais de “indecente e constrangedora”.

“Procedimento padrão, alguns lá no Facebook comentaram. Se é procedimento padrão, esse padre está exagerando. Aponta uma arma para cabeça da sua mãe e pensa se ele está exagerando. Não é verdade? É bom ver isso no dos outros, não é?”, disse o padre durante a missa.

Durante missa em Trindade, padre de GO critica ação da PM paulista; vídeo (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)Padre Robson durante missa na Basílica do Divino Pai Eterno (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

No Facebook, o padre havia relatado que ele estava de batina e o motorista do carro falou aos militares que ele era sacerdote. Mesmo assim, eles o fizeram descer do carro, o revistaram primeiro e só depois pediram a documentação. Aos fiéis na Basílica, padre Robson contou como foi essa parte da abordagem: “O senhor quer a minha identidade? ‘É a identidade que vale, você não está entendendo não?’ Então tá bom, tirei, entreguei pra ele, e eu fiquei com a mão na parede 15 minutos esperando a boa vontade dele no rádio.”

Para o padre, a ação foi desrespeitosa. “Falta de respeito. Eu não estava preocupado em ter sido revistado, ou o que aconteceu. Mas porque ter sido revistado depois de me
apresentar? E eu fiquei pensando, se eu fosse um juiz de Direito, um coronel da polícia à paisana, se eu fosse um promotor, será que eles teriam feito isso?”, disse, sob aplausos, durante a missa.

A assessoria de imprensa da Basílica disse que o padre Robson não vai mais comentar o assunto.

Padrão
Na sexta-feira (26), a Polícia Militar de São Paulo informou ao G1 que as abordagens seguem um padrão, independentemente da localidade. “Primeiro são levados em conta os critérios de segurança. Depois, fazemos a revista aos indivíduos, ao veículo no qual eles estão e só depois solicitamos os documentos. Sabemos que o procedimento pode gerar constrangimentos, por isso sempre agradecemos a compreensão das pessoas”, explicou o major Marcel Lacerda Soffner, assessor de imprensa da corporação.

Procurado pela reportagem, o comandante de ensino da Academia de Polícia Militar de Goiás, Coronel Júlio César Mota também explicou o procedimento policial. Para ele, o carro em que o padre estava pode ter sido confundido com algum veículo procurado pelos policiais paulistas.
“Dependendo dessa aproximação de características, aumenta-se o nível de suspeição. Até que se verifica que o cidadão não está armado, que ele não oferece risco para os policiais, é um momento bastante tenso. O policial coloca sua arma na posição que nós chamamos de pronto-baixo ou posição sul, e ela dá uma possibilidade de reação mais rápida”, detalha o comandante.

O coronel acha que, apesar da situação constrangedora e de medo, tudo indica que a polícia de São Paulo seguiu medidas de segurança. “Vestimenta não identifica ninguém. E, nesse caso específico, o padre Robson é muito conhecido aqui em Goiás, mas talvez não seja tão conhecido em São Paulo”, disse Coronel Mota.

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